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Embark diz enfrentar uma indústria de cheats de US$ 8 bilhões em ARC Raiders e The Finals

Responsável por anti-cheat na Embark descreve um mercado profissional de trapaças com hardware dedicado, IA e suporte comercial — e diz que não existe solução simples para ARC Raiders e The Finals.

Plataformas PC, PlayStation 5, Xbox Series X|S
ARC Raiders e The Finals estão no centro da discussão da Embark sobre combate a cheats
Embark afirma que combater cheats modernos envolve software, hardware, IA e análise de comportamento. Foto: Embark Studios / Divulgação

Combater cheaters em ARC Raiders e The Finals deixou de ser uma disputa entre desenvolvedores e alguns jogadores tentando burlar o sistema. Na visão da Embark Studios, o outro lado já funciona como uma indústria profissional.

Durante uma apresentação sobre anti-cheat na devcom, o engenheiro sênior Tom van Dijck, responsável por parte da estratégia da Embark contra trapaças, estimou que o mercado comercial de cheats movimenta cerca de US$ 8 bilhões.

O número foi apresentado pelo próprio engenheiro como uma estimativa do tamanho desse ecossistema — não como um levantamento financeiro auditado —, mas ajuda a explicar a escala do problema enfrentado por jogos competitivos e serviços online.

Cheat deixou de ser apenas um programa rodando ao lado do jogo

Segundo van Dijck, a imagem clássica do jogador baixando um pequeno programa e executando-o junto do game já não representa toda a realidade.

Ferramentas modernas podem usar hardware externo, manipulação direta de memória, captura de imagem e sistemas assistidos por inteligência artificial para obter informações ou automatizar ações sem necessariamente modificar diretamente o executável do jogo.

Um dos exemplos citados envolve sistemas que analisam continuamente a imagem exibida na tela, identificam alvos e enviam comandos de mouse por outro dispositivo. Nesse cenário, parte da operação acontece fora do cliente tradicional do jogo e pode escapar das formas mais antigas de detecção.

Van Dijck também descreveu fornecedores comerciais que funcionam como empresas, com funcionários, desenvolvimento contínuo e até atendimento ao cliente.

Embark diz que precisaria de milhares de desenvolvedores para responder a tudo

A comparação usada pela Embark é uma corrida de gato e rato: sempre que uma técnica é detectada ou bloqueada, novas alternativas surgem.

O engenheiro afirmou que a equipe não consegue simplesmente acompanhar individualmente cada método disponível e chegou a dizer que seriam necessários milhares de desenvolvedores para responder a todas as ameaças dessa forma.

O problema ganhou ainda mais visibilidade em ARC Raiders, onde reclamações sobre cheaters, abusos e exploits aparecem com frequência entre jogadores e criadores de conteúdo. The Finals enfrenta desafios semelhantes.

A própria Embark vem expandindo mecanismos de detecção, punições e soluções anti-cheat ao longo dos últimos meses.

Kernel anti-cheat vira um ‘mal necessário’

Outra parte delicada da discussão envolve ferramentas que operam em nível de kernel, uma camada muito profunda do sistema operacional.

Essas soluções conseguem observar comportamentos que sistemas mais superficiais não enxergam, mas também geram resistência entre usuários por questões de privacidade, segurança, estabilidade e impacto no computador.

Van Dijck reconheceu essas preocupações, mas descreveu esse tipo de proteção como um “mal necessário” diante das técnicas usadas atualmente por desenvolvedores de cheats.

A Embark também vem trabalhando com parceiros especializados e tentando construir uma estratégia própria em vez de depender exclusivamente de soluções genéricas de terceiros.

IA torna a guerra contra cheats ainda mais complicada

A inteligência artificial adiciona uma nova camada ao problema porque permite criar ferramentas capazes de interpretar aquilo que aparece na tela e reagir ao jogo sem necessariamente tocar diretamente em seus arquivos.

Isso muda a lógica de defesa: proteger apenas arquivos e processos locais deixa de ser suficiente.

Por esse motivo, a Embark diz estar direcionando cada vez mais atenção para telemetria e comportamento dos jogadores. Em vez de procurar somente um programa proibido, o objetivo passa a ser identificar padrões estatisticamente incompatíveis com uma partida legítima.

Não existe uma solução definitiva

A principal mensagem da apresentação é que não há uma ferramenta capaz de acabar definitivamente com cheats.

Bloquear uma técnica pode reduzir sua eficácia por algum tempo, mas fornecedores comerciais têm incentivo financeiro para buscar novas maneiras de contornar as proteções.

Para estúdios que operam jogos competitivos, isso transforma anti-cheat em uma atividade permanente — envolvendo engenharia, análise de dados, punições, comunicação com a comunidade e novas tecnologias.

E se a estimativa de US$ 8 bilhões citada pela Embark estiver próxima da realidade, os estúdios estão tentando proteger seus jogos enquanto enfrentam um mercado que tem dinheiro de sobra para continuar procurando novas brechas.

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